Foto: Jonathan Wolpert

O ator João Côrtes rodou seus primeiros projetos por trás das câmeras e ambos tem sido premiados em festivais fora do país. Com dois filmes selecionados em onze festivais, ele ganhou recentemente o prêmio de Melhor Diretor e Melhor Filme no New Cinema Film Festival, de Lisboa, com o filme “Nas mãos de quem me leva”. E agora, João também estará na série “Sala dos Professores”, do CineBrasil TV, e na série americana-brasileira “The American Guest”, da HBO.

Mas não parou por aí! Porque, João Côrtes tem soltado a voz em seu Instagram, com o projeto “King Kong Sessions”, onde entrega covers uma vez por semana. E nós, do Conexão POP batemos um papo com o ator sobre seus projetos, vem conferir:

Você é um artista completo, temos desde Cinema à Música no seu currículo, e o projeto “King Kong Sessions” mostra sua versatilidade em todas as áreas, como foi a ideia desse projeto de músicas no IGTV?

A ideia surgiu de um desejo meu de voltar a potencializar o meu lado cantor e músico, de voltar a me conectar com isso, além de criar um conteúdo musical no meu instagram que tivesse um nível alto de qualidade, de fotografia, de produção musical… O público que me acompanha com mais frequência no Instagram sempre me pede para postar vídeos meus cantando, tocando, enfim. Eles adoram! Então eu já vinha há algum tempo pensando em estruturar um projeto que unisse esses elementos, de maneira elegante, bonita e bem entregue. Além disso, tenho um pai que é produtor musical, um estúdio dentro de casa, e um irmão diretor de fotografia. Eu não tinha como perder a oportunidade de juntar as forças e talentos!

O que você pode nos dizer sobre seu trabalho na série “The American Guest”, da HBO? O que podemos esperar do seu personagem?

Não posso dar muitos detalhes ainda, mas posso dizer que foi um trabalho extremamente desafiador, talvez um dos maiores da minha carreira, até agora. A série com certeza vai encantar a todos quando for ao ar. É uma história linda. 

Você foi uma pessoa que se desdobrou MUITO nesse período de quarentena, criou inclusive o #TrocaComigo, que é um projeto incrível de bate-papo, como foi pra você se reunir com essas pessoas (virtualmente)? Como era o processo pré-live? Rolava alguma preparação antes?

Foi ótimo! Eu adorei fazer, foi muito enriquecedor, e inclusive tenho pensado em voltar a fazer… Pra mim foi uma oportunidade incrível, tive a chance e o espaço para entrevistar pessoas que admiro profundamente, artistas que me inspiram demais! Poder trocar, ouvir, aprender… 

Eu sempre conversava antes para explicar, mais ou menos, como seria a dinâmica do programa, quais perguntas eu faria, enfim… Só pra contextualizar o convidado. E na hora a gente sempre contava com o elemento do improviso, do que surge no momento… Eu realmente tive muito prazer em levar esse projeto! E de novo: Quero voltar a fazer!

Eu preciso citar seu trabalho como dublador também, que é incrível por sinal. Quais são as diferenças mais notáveis que você identifica entre atuar em frente às câmeras, e atuar dublando um personagem? É muito desafiante?

Muito obrigado! Dublar realmente me exigiu um foco e uma energia totalmente diferente. É muito desafiador e muito estimulante! Pelo principal fator de que não temos o nosso corpo e nossas expressões para nos ajudar. É apenas a voz. O grande lance é passar as emoções, os conflitos, as nuances, contar a história, tudo só com a sua voz. Eu sempre quis muito dublar, e já tive a oportunidade de dublar 4 animações. E todas foram experiências maravilhosas, que me ensinaram e me engrandeceram muito como ator. Dublar é um baita exercício! 

“Nas mãos de quem me Leva” é um trabalho incrível que tem MUITO João Côrtes envolvido nisso, como foi essa experiência de dirigir e roteirizar esse projeto? 

Talvez o maior desafio profissional que já enfrentei. Eu terminei de escrever o roteiro em 2017, e em 2018 eu não tive tempo de me dedicar ao filme, por conta dos projetos como ator e cantor. E em 2019, criei a Tentáculo Rec, junto do meu pai, Ed Côrtes, e meu irmão, Gabriel Côrtes. E com a nossa produtora, decidimos produzir o longa de forma 100% independente. Foi realmente uma maratona em vários sentidos, intensa e desafiadora, mas extremamente gratificante! Tivemos a parceria e o apoio de muitos artistas e profissionais fantásticos, uma equipe e um elenco delicadíssimo, que se entregaram de corpo e alma para contar essa história. Me encontrei muito como artista também na cadeira de diretor, e sinto que evoluí muito como ator. Me senti confortável podendo trabalhar e guiar os atores, criar as atmosferas de cada cena, e realmente me apaixonei por mais essa profissão. Estamos agora com o filme pronto, e prestes a ser lançado, muito em breve!

“Além disso, já estou escrevendo meu segundo longa, que pretendo dirigir também.. Logo logo poderei falar mais sobre!”

 

O curta-metragem “Flush”, é MUITO aclamado, como surgiu essa ideia de projeto?

A ideia veio da vontade de debater a masculinidade tóxica. O machismo. As máscaras que colocamos todos os dias para nos proteger de nossas inseguranças, de nossas vulnerabilidades. Sobre a quantidade de regras que nos são impostas pela sociedade, como homens, e a pressão que nossos jovens garotos sofrem constantemente, para tentar atingir esse padrão inalcançável do que é ser um “homem”. E como isso vai afetando o nosso subconsciente coletivo, de forma violenta, e ao mesmo tempo, discreta. E mais: O porquê de rejeitarmos tanto a ideia do feminino? É sobre desconstrução dessa máscara rígida da masculinidade, é sobre libertar-se disso tudo. 

Você tem um papel muito importante para os jovens, principalmente por inspirar pessoas através da arte, como você se sente com isso?

Me sinto privilegiado, honrado e abençoado por ter a possibilidade de inspirar através da minha arte. Que coisa linda é receber o feedback das pessoas a cada projeto novo que  eu lanço. É para o público que eu faço. E é justamente com esse intuito de inspirar, de questionar, de dialogar… O que vem do coração, dos nossos instintos, é sempre muito pessoal, então por vezes somos tomados por um receio de expor nossas manifestações artísticas. É uma responsabilidade imensa, e um presente, tudo ao mesmo tempo! Mas no fim do dia, o que me motiva a continuar criando e derramando arte no mundo, são as pessoas – de todas as idades – que de alguma maneira poderão se transformar com isso. Arte como instrumento de transformação, de evolução, de movimento! Eu só espero que eu possa continuar criando, colocando arte no mundo…

Por último, um recado para os leitores do Conexão POP.

Obrigado, de verdade, por todo o afeto e atenção! Quero lembrar que tenho um projeto musical no instagram, no IGTV, chamado King Kong Sessions – Em que lanço um vídeo por semana, cantando uma música diferente! Acabei de lançar o 3o vídeo, cantando Etta James! Espero que gostem! Fora isso, em breve vocês poderão assistir meu primeiro longa-metragem como roteirista e diretor, nas plataformas digitais!

Um beijo enorme para todxs vocês! E mais uma vez, muitíssimo obrigado pelo carinho!

Não se esqueçam de acompanhar João nas redes sociais para ficar por dentro de todos os projetos do ator, que tem muito trabalho lindo para mostrar!

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