15 de junho de 2020
Crítica
Resenha: Pessoas Normais – Sally Rooney

Como Sally Rooney é capaz de descrever um versão mais real, melhorada e profunda de nós mesmos? Este foi meu questionamento durante toda a leitura.

Um livro com ingredientes simples, uma menina rica e um menino pobre apaixonados, quantas vezes você já viu algo com esses mesmos elementos? Este livro poderia ser só uma historia esquecivel de um romance adolescente, mas ele foi escrito por Sally Rooney.

Com elementos fortes e já conhecidos, essa é uma historia tão crua e realista, que poderia ser a sua. O leitor consegue vizualizar a si mesmo em muitas das situações, em muitos dos pensamentos, e até nos gestos de carinho e raiva de todos os personagens. Rooney tem uma narrativa diferente do que se costuma encontrar por ai, ela não divide os dialogos em travessoões, aspas, paragrafos, apenas em virgulas. Eu interpreto isso de uma forma onde ela mostra que os dialogos da historia são uma das principais causas/consequencias da historia, e só reforça um dos maiores dilemas de todo o enredo: a comunicação entre as pessoas.

O titulo ”Pessoas normais” é tão absurdo para uma historia como essa, cheia de reviravoltas e momentos intensos, que se torna de fato, apenas normal. Como na vida real. Qualquer jovem adulto vai se identificar brutalmente com essa historia, independente do momento em que você estiver de sua vida, com certeza vai se ver em algo, ou reconhecer algo em alguém proximo. Vale dizer que, provavelmente este é um livro atemporal, então, independente do momento em que você estiver de sua vida, ele sempre fará sentido de alguma forma.

Sally faz jus a sua geração, e traz com maturidade e seriedade problemas reais de pessoas normais, sem frescuras, sem enrolação e de maneira que faz parecer justificavel atitudes injustificaveis de uma geração que não é levada a serio. Pessoas Normais traz um lado sensivel e frágil de quem sabe e luta para enxergar as coisas belas da vida real.

(Reprodução/ El País)

Sinopse:

Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes — contudo, um deles está determinado a esconder a relação. 

Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.

 

A adaptação: 

(Reprodução /Variety)

Em abril de 2020, estreava na Irlanda a adaptação do romance de Rooney, com o mesmo nome. A adaptação foi um sucesso de audiência pela BBC e no Hulu. E finalmente, após muitos pedidos de fãs da autora, a série tem previsão de chegada nas terras brasileiras. A Endeavor Content concretizou um acordo com o serviço de streaming Starzplay, para trazer a série britânica ‘Normal People’ para o Brasil, ainda no segundo semestre deste ano.

A primeira temporada conta com 12 epsódios onde se aprofundam na história da Marianna (Daisy Edgar-Jonas) e Connel (Paul Mescal). A obra se passa na Irlanda entre os anos de 2011 e 2015 .

 

 

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