30 de setembro de 2020
Séries
ENTREVISTA| Diretor Felipe Reis fala sobre sua série brasileira steampunk da Amazon Prime

“A todo vapor!” é a primeira série nacional  steampunk, idealizada e criada por Felipe Reis e Enéias Tavares. São 8 epsódios com uma narrativa envolvente e muito divertida, que estreou em setembro no stream da Prime Video.

A série aborda e celebra os heróis da nossa literatura clássica numa trama de suspense, fantasia e aventura. O elenco conta com Pamela Otero, Paulo Balteiro, Claudio Bruno, Pedro Passari, Luiz Carlos Bahia, Antônio Destro, Bruna Aiiso, Alessandro Imperador e Yoram Blaschkauer e muito mais.

O  steampunk é  conhecido como Vapor Punk ou Tecnavapor (abreviação de ”Tecnologia a Vapor”) é um subgênero da ficção científica, ou ficção especulativa, que ganhou fama no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

O Conexão POP bateu um papo com o diretor da série que contou sobre o processo e desafios de produzir a primeira série  steampunk do Brasil. Confira na íntegra.

 

CP: O que você tem feito nessa quarentena?  

Felipe Reis:  Eu tenho feito muita coisa! Essa quarentena tem sido jogo duro.  Criei minha conta no TikTok, tenho criado muito conteúdo lá, atualizei um monte de material que precisava atualizar, escrevi um monte de roteiro por aqui, até que a quarentena rendeu.  

 

 

CP: Vamos começar a falar da série então, você é o diretor. Com surgiu a ideia de colocar essas referências? Steampunk que fala, né? A gente vê muito isso lá fora, mas aqui no Brasil é meio difícil a gente ver produções com esse tema 

Felipe Reis: Sim. Na verdade eu não vi nada com essa estética steampunk no audiovisual aqui no Brasil. Já tinha visto algumas coisas assim em decoração de bar, restaurante, coisas com elementos steampunk. Tudo começou em 2013 quando eu viajei pra New Orlins, nos Estados Unidos, que é uma cidade colonizada pelos franceses.  Eu fui lá pra fazer a rota dos blues, e lá tem esse ‘quê’ super mistico, tem vairas historias de bruxos e lendas. Em uma tarde ensolarada, estava rolando uma feirinha, tinha um cara com uma cartola, meio bruxo, vendendo umas coisas e ele tava vendendo um relógio, e eu me apaixonei, comprei. Eu nem sabia que la na frente eu ia descobrir que era um relogio steampunk. Em 2016 eu estava morando no Rio de Janeiro, trabalhava em uma agência de publicidade na parte de criação,  em determinada semana um cara de Nova York foi fazer um trabalho lá, ele esbarrou comigo no corredor e falou ‘’cara que legal esse relógio steampunk”, e eu não entendi. Quando cheguei em casa fui pesquisar e me deparei com esse universo e me apaixonei ainda mais. Descobri que tinha muita coisa na literatura, nos games, e cinéfilo que sou fui pesquisar e descobri muita coisa legal nos cinemas e nas séries. O problema é que eu não achei muita coisa, só alguns filmes com referências, mas nada 100% steampunk 

 

CP: Aqui no Brasil é muito difícil, quando eu pesquisei sobre essa estética, me lembrei de algumas novelas da globo, mas nada completamente steampunk como você disse, não tem nada.  

Fleipe Reis:steampunk se passa em uma época vitoriana, então qualquer historia de época que vc for contar que se passa nos anos 19000, as roupas vão ser parecidas, mas isso não caracteriza o steampunk, porque o steampunk é a tecnologia situada a essa estetica, é o que chamamos dee retrofuturista. Eu não achei nada então pensei em criar uma série 100% steampunk brasileira, eu sempre gostei de criar conteudos e tudo mais. Então fui atras pra achar alguem que entendia muito desse universo para me ajudar nos roteiros e roterizar isso ai. Eu descobri que existia uma comunidade de steampunk que era apaixonada por isso. Eles fazem figurinos, piquiniques vitorianos, uns encontros, eu pensei que essa galera seria util pra mim. Conheci um cara, Ricardo Cavalcante, marquei um café com ele, ele achou legal a ideia mas não era do audiovisual e não poderia me ajudar muito. Então eu desenvolvi alguns personagens e criei um argumento. Mas não achava ninguem que fizesse um roteiro legal para me ajudar. Isso tudo aconteceu em 2016. Depois disso, em 2017 eu voltei pra São Paulo, e nesse ano completava dez anos que eu tinha feito a primeira webserie brasileira., chamada conversas de elevador. Faltavam só 12 epsodios pra completar 100 epsodios, mas quando eu tava no 10 epsodio eu já tva de saco cheio. Eu já tinha escrito 88 epsodios de elevador, então lembrei do projeto steampunkAi pensei em fazer algo, e comecei a ir atrás disso.  

 

CP: Em São Paulo tem de tudo, né?  

Felipe: Sim, São Paulo é onde tudo acontece. Eu achei um canal no Youtube que é o ‘Conselho steampunk’, que é da Debora, que mais pra frente viria a se tornar a figgurinista da série. Mas ela morava em campinas, ai ela me indicou outra pessoa, a Jessie Webs, nós batemos maior papo, mas ela não era nada do audiovisual, era só uma entusiasta do genero, mas ela me apresentou dois nomes, e eu simpatizei muito com um dos nomes, e eu sou muito intuitivo, ai esse nome era Eneas Tavares, ele até lançou um livro 100% steampunk 

 

CP: Isso foi em que ano? 

Felipe Reis: 2017.  

 

CP: Então a ideia da série surgiu mesmo em 2017, certo?  

Felipe Reis: Sim. A ideia da série comecou em 2017, que foi quando eu falei com o Eneas, liguei pra ele e falei que queria desenvolver uma web série na garra, sem patrocinadores, nem nada. Eu mandei pra ele as minhas ideias e ele sugeriu de nós mesclarmos os personagens que ele já tinha do livro dele com os meus para fazer uma coisa transmidia. O Eneias é um professor de literatura  linguistica no rio grande do sul.  

 

CP: Inclusive nós chamamos ele para fazer a entrevista mas ele estava dando aula.  

Felipe Reis: Mas ai quando ele me falou do livro dele, foi uma quimica rara, principalmente em niveis proficssionais, nós temos estilos completamente opostos mas nos agregamos muito. Foi uma quimica muito legal que ta refletindo em todos os nossos produtos. 

 

CP: Vcs tem em mente uma segunda temporada, já?  

Felipe Reis: Sim, quando a gente começou esse processo, de cara já veio um arco de 5 temporadas. A gente já tem dois caminhos bem desenvolvidos para 2 temporada, um deles veio através de um edital que nos elaboramos. Então, vai depender muito do que o futuro nos reserva, a nossa expectativa é que a primeira temporada vá bem para desenvolver o interesse de algum investidor, pra  segunda temporada a gente possa fazer mais coisas.   

 

CP: Voce disse que no começo voces não tinham nenhum patrocininio nem nada, como que chegou aaté a amazon?  

 Felipe Reis: Então, nos começamos e terminamos sem patrocinio, o que tivemos foi ajuda de alguns amigos e a produtora blues que entrou com a co produção, que ajudaram a gente e entraram comm uma graninha que foi fundamental para terminamos o projeto. Na nosssa equipe não tinhamos ninguem que fosse de vendas/comercialização, entoa foi bem dificil essa parte para nós.  nos tentavamos pelo boca boca, por amigos, tomavamos muito não. Ficamos quase um ano, porque enquanto a serie era finalizada na pos produção, nos iamos tentand vender e não conseguiamos chegar em lugar nenhum e isso me deixava muito chateado. Ainda mais quando tem dinhiro envolvido. EU sempre frequentei festivais de cinema, e em 2019 tava rolando uma palestra de distribuidores, eu pensei que essa seria minha chance de entender o mercado, e nessa palestra tinha vários players e unsa dessas pessoas era responsavel pela O2 play, que fizeram Cidade de Deus e tudo mais. E pela proposta dele eu percebi que o ‘todo a vapor’ se encaixava em tudo que eles buscavam pra distribuir. Eu corri pra falar com ele e mostrei meu projeto, apresentei em cinco minutos tudo e ele se interessou e me passou o emial dele. Eu mandei email no dia seguinte, só que ai passou um mês e nada. Ele não me respondia depois disso. Passaram dois meses e nada. Eu continuiei pesquisando outras coisas, paralelamente o Eneas estava seguindo outros projetos. Nós lançamos na Comic Conn e lá eu topei com o cara da O2, e ele me reconheceu. Lá, a gente se reencontrou e tudo começou a dar muito certo, demorou quase mais de um ano para ficar tudo certo, mas deu certo e eles me disseram que ia entrar pra amazon e eu chorei de emoção.  

CP: A série tem 8 epsódios, isso foi intencional para os fãs maratonarem, ou vocês pretendem deixar maior?  

Felipe Reis: A principio nós pensamso em lançar no Youtube, se gostarem podem investir e na segunda nós podemos fazer em um player maior. Nos fizermos já pensando nesse publico pqesse publico que veria a série menor. Nossa ideia para segunda temporada é que seja maior. Nos pensamos em 40/45 minutos por epsodio e se passa em São Paulo. Com patrocinadores nós podemos explorar mais, na primeira temporada não tinha apoio, nós fizemos praticamente um milagre. Pela nossa pesquisa a plataformas preferem coisas maiores, com mais tempo.  

 

CP: Nas proximas temporadas então podemos contar com mais tempo:  

Felipe Reis:  EU confesso que eu gosto muito dessa temporada do jeito que tá, mais dinamica, objetiva, não fica enchendo linguiça. Na proxima temporada dá pra aumentar as tramas, deixar mais complexo. Da pra fazer uma coisa que prenda atenção de uma maneira diferente. Eu acho que o grande diferenteical da nossa série é fazer algo inédito e valorizar a nossa cultura. Isso é uma coisa que nós sentimos muita falta, “quem são nossos herois brasileiros?” nós temos que  

 

CP: Tem muito conteúdo bom aqui no Pais, mas a galera foca mais nas superproduções lá de fora.  

Felipe Reis:  Sim, o brasileiro é condicionado a menosprezar a própria cultura. Eu li uma matéria há uns dois anos, sobre o que eles queriam consumir, e a maioria queria consumir fantasia e aventura, mas o que a galera oferece: filme de violência, favela e comedia.  

 

 

 

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