12 de dezembro de 2019
Entrevista
ENTREVISTA | Xamã fala sobre seu novo álbum “O Iluminado” e revela seus filmes preferidos em bate-papo com o Conexão POP

Nascido na zona oeste do Rio de Janeiro, o rapper Xamã é um artista popular que está lançando seu segundo álbum de estúdio. E nós do Conexão POP, batemos um papo com o rapper que revelou como foi o processo de criação do álbum, e até fez indicação de filme para os visitantes do site.

Neste segundo álbum, lançado pela Baguá Records, Xamã resolveu escolher nomes de filmes para compor o disco. Começando pelo título “O Iluminado” que é inspirado no sucesso de Stanley Kubrick e Stephen King, além de todo o conceito baseado em outros longas.

A partir deste disco é visto uma evolução notável no trabalho de Xamã, que preparou um conceito completamente diferente, trazendo uma diversidade nas músicas e no visual do seu segundo álbum. Vem ouvir:

Conexão POP: Esse é o seu segundo álbum, e ele tem uma poética muito inteligente e criativa, e conta pra gente, como você pensou nessa criação? Foi uma ideia que surgiu do nada?

Xamã: Então eu quis fazer dessa vez com filmes, o primeiro foi com pecados capitais, e dessa vez eu quis fazer uma série com filmes, e na Baguá nós gostamos muito de cinema, e ia ser bacana homenagear a sétima arte com títulos de filmes. E são filmes que fizeram parte da minha vida em algum momento, não são os melhores, mas de alguma forma eles fizeram parte de algum momento especial da minha vida e ficaram marcados. Tipo quando você escuta alguma música e lembra de algum momento da sua vida. E eu acho bacana poder apresentar pra essa galera hoje em dia, porque o cinema e o rap sempre andaram de mãos dadas, desde o início. Então é uma forma de homenagear a sétima arte e colaborar com a cena do rap nacional.

CP: Os filmes que você usou pra compor o álbum são de gêneros completamente diferentes, como por exemplo “Uma Linda Mulher”, “American Pie” e “Um Drink no Inferno” e assim, como foi a escolha desses filmes?

Xamã: É como uma locadora, você vê vários filmes e cada filme de proporciona uma energia diferente. “Advogado do Diabo” é com o Filipe Ret, e tem aquela pegada mais tensa, todo aquele misticismo que o rap traz. O som com a Agnes que é uma parada mais doce, “Pulp Fiction” que é uma levada mais agressiva, rap dos anos 90. O trampo com o Luccas Carlos que é um love song, que é “Uma Linda Mulher”. Então cada música tem uma característica única de acordo com o título dela, e coisas singulares que aconteceram na minha vida, que estão ali dentro, escritos em primeira pessoa.

CP: A gente sabe que o álbum lança amanhã, e como tá a expectativa pra esse lançamento? Porque pelo lançamento do curta metragem “O Iluminado”, e do single “Um Drink no Inferno”, nós sabemos que foi algo super bem preparado, que você se empenhou muito, mas e aí, o que você espera desse lançamento?

Xamã: Então, esse segundo álbum eu demorei muito mais pra fazer. O primeiro álbum eu fiz bem rápido e não consegui aproveitar tanto, mas ele ainda rola bastante. “Luxúria” é uma das músicas que mais bateu, conseguiu 50 milhões. E hoje em dia a gente teve mais tempo pra conseguir fazer o trampo, mais estrutura, não queríamos fazer só um disco com algumas músicas e tal, a gente quis fazer todo um conceito pro disco. E eu acredito que é um trabalho muito mais maduro musicalmente, até porque a galera tá acostumada com algo meio mastigado, músicas clichês e tal, e dessa vez trouxemos uma coisa nova. Fazendo com que o conceitual se torne POP, não que seja uma parada brega, e sim que seja uma parada conceitual como sempre tem que ser. A arte tem que andar junto com os jovens, com a internet, e acho que essa é a parada mais bacana, a gente conseguir conectar tudo isso.

CP: Qual a maior mudança significativa que você sentiu quando percebeu que seu trabalho cresceu, e você pensa “Nossa é pra isso que eu trabalhei”?

Xamã: No início era tudo mais instintivo, você faz por ouvir, não sabe se aquilo é bom ruim, você só faz por fazer e hoje já tem todo esse feedback da galera, hoje a galera que curte o som já faz um som comigo sabe? E isso me da uma liberdade bem maior, e eu acredito que tudo que eu fiz nesse disco, nesse curta, nesse trampo, é reflexo do que a gente aprendeu, e tudo que eu aprendi até hoje com a música é o resultado desse disco, e como a galera acompanha vai entender essa linguagem, e o que eu quis passar

CP: Você é um cara super antenado no quesito de filmes, e esse ano foi lançado vários filmes, então conta pra gente, qual filme de 2019 você incluiria no seu álbum? Que você assistiu e pensa “Puts, esse filme é BOM e merece estar no meu álbum”.

Xamã: Nossa! Vou até falar “Coringa”, e eu ia até colocar, mas achei muito clichê, mas eu acho que Coringa foi o melhor filme que eu vi, um filme muito da hora. E eu vi “O Irlandês” da Netflix, faz pouco tempo, e é muito bom também.

CP: Estamos no finalzinho de 2019, que foi um ano super produtivo pra você. Mas e, aí? Quais seus planos para o ano de 2020?

Xamã: 2020 Nós vamos colher os frutos do disco, e muitos lançamentos né? Próximo disco já está sendo planejado também, tem música com a Pocahontas, Kevin O Chris, então tem muito som de verão pra sair, e o resto a gente vai jogando na pista.

CP: Nós vimos sua atuação no curta metragem de “O Iluminado” e queríamos saber se você quer investir nessa carreira de ator, e levar a diante esse talento.

Xamã: Sim, com certeza! Eu tô até tentando aprimorar mais, pra ficar mais espontâneo e melhor, nós usamos os artifícios que a gente tem, pra deixar o nosso trabalho mais bonito e eu acho que isso ficou muito legal, as atuações, as ideias do diretor, os figurinistas e todo mundo em geral. Esse projeto é um conteúdo muito bacana.

CP: Você é um artista que consegue se adequar a maioria dos estilos sem perder a essência, como vimos em “Poesia Acústica” e no seu EP com a Agnes, e agora quando a gente escuta “Um Drink no Inferno” é uma pegada completamente diferente. Mas e aí, qual gênero você tem vontade se arriscar, mas por algum motivo você ainda não entrou nessa?

Xamã: Então, eu gosto muito de Rock ‘n Roll, e até no Spotify, quando apareceu a retrospectiva, o estilo musical que eu mais ouvi foi Rock. Eu fui no Rock in Rio, toquei com banda, mas eu gostaria de fazer algo assim, com uma banda de rock.

CP: Sobre parcerias, nós vimos que seu álbum está cheio de participações mais que especiais, como Filipe Ret, Agnes Nunes, Luccas Carlos, etc. Mas conta pra gente, como vão ser as pegadas dessas músicas? O que você pensou para cada participação e como foi a escolha deles? Por que você pensou nesses grandes artistas pra compor um álbum tão especial?

Xamã: Então, o disco tem o lado A e o lado B. O lado A são as músicas com o Orochi, Filipe Ret, Luccas Carlos que são essas músicas mais receita de bolo sabe? E a música com a Agnes é o lado B, que eu trago a singularidade dela, que eu acredito muito.

CP: Agora estamos no fim da entrevista, mas vamos pedir pra você mandar um recado pra os visitantes do Conexão POP.

Xamã: Sempre tentem absorver o máximo de informação que conseguir, e a gente ta na era da informação. Quanto mais informação a gente troca, mais energia você tem, e mais você aprende as coisas, e o mais importante é desejar um 2020 de muita saúde, muita paz pra todo mundo, vamo que vamo!

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