18 de Abril de 2019
Entrevista
Entrevista: Malía disseca inspirações para seu primeiro álbum

Da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e alçada a fama fazendo parte de concursos e festivais de música entre escolas municipais, Malía, também conhecida como Isadora Machado, estreou na meia-noite desta quinta-feira, seu primeiro álbum homônimo à primeira música single: Escuta.

Com dez faixas e parcerias com Jão e Rodriguinho, o disco é rico em mistura de estilos. A faixa Escuta, divulgada ainda em 2017 com o EP Zum Zum Zum, antes mesmo da produção do álbum, é influenciada claramente pelo reggae e esse fator de quebra com suas demais músicas do EP foi determinante para ela e sua equipe decidir o caminho que o disco levaria. “Ela é muito diferente e foi muito positivo ver que o público gostou porque nos deu uma luz, um norte de para onde seguir com o álbum“, disse Malía ao Conexão Pop.

Assim, não surpreende faixas como “Vibe Boa ter uma batida de funk e “Faz Uma Loucura Por Mim” ter um trecho que remete ao rap, gênero de um de seus ídolos, Emicida. Segundo Malía, não há como afirmar qual é seu estilo preferido, diz que, para Escuta, se inspirou em Djavan, Emicida, Travis Scott, Lauryn Hil e Elis Regina.

Outro ponto importante na discografia de início da carioca é clara mensagem de liberdade de escolha e empoderamento feminino que permeia todas as dez músicas que compõe o álbum, mas visto com mais força em faixas como Escuta, A Tal da Paz e Feeling. “Queria que as pessoas entendessem as letras e como elas podem fazer o que elas têm vontade e respeitar as pessoas, o desejo delas de fazer o que elas estão sentindo“, conta.

Ao Conexão Pop, a cantora também comentou a parceria com Jão e Rodriguinho, sua presença na trilha sonora de Malhação, quem ela quer ver tocar no Rock In Rio já que está no line up do Espaço Favela, novidade do festival deste ano, e como se deu a escrita de algumas músicas. Confira:

Bom, pra começar eu queria falar um pouco sobre a criação do álbum. Qual foi a primeira que você compôs, quando você compôs e como foi o processo dela?

Então eu tinha muitas letras prontas,  mas houve um momento em que nós, da produção, fizemos uma reunião para falar do repertório e selecionamos dez. Foi muito difícil porque eu queria que muitas entrassem, dava para fazer quatro álbuns (risos). A primeira que escrevi para ele foi Escuta. Ela representa muito para mim e é muito diferente das demais, tem um pouco de reggae. Dá para ver uma mistura de estilos. Mas o público gostou e isso deu uma luz, um norte para seguirmos com o álbum.

Você compôs todas as músicas ou teve alguma de outro compositor ou colaboração?

Oito são minhas. O feat com o Rodriguinho foi o Dr. Dan, irmão dele, que fez e a com o Jão foi ele que escreveu.

E qual foi a última, a que encerrou o processo todo?

Arte. A gente tava ensaiando e tinha uma melodia da Universal que pediram para eu ouvir e escrever em cima em português e foi muito louco porque eu tava fazendo um workshop de artes visuais e eu tava aprendendo muito sobre arte, me sentindo muito diferente, porque lá fazíamos exercícios de olhar nos olhos dos outros e limpar a mente. Então foi muito inspirador.

Quando você vai escrever, você se enche de referências ou usa mais suas experiências pessoais, como você diz que fez em Arte?

Eu acho que o meu processo é muito pessoal, muito introspectivo. Isso é muito positivo porque faz com que eu me conecte com as pessoas. Muito do que eu vivi reflete nas vivências do público e isso faz com que nós formemos um grupo de troca.

E qual é a música mais pessoal dentre as 8 que estão no álbum?

A Tal da Paz, com certeza. Ela é uma crítica de toda e qualquer tentativa de ser colocado em caixinhas. Tem inclusive uma frase que diz: “enjoada dessa fala de amor próprio por negócios e dinheiro”. Eu me sinto livre, mas as pessoas não estão preparadas para a minha liberdade. Eu quero voar.

E o que nós podemos ver de evolução do seu EP para o álbum?

Eu acho que música, quanto mais você ouve, mais ela fica madura. Até minha construção da escrita tá bem diferente. Tem coisas que eu faço propositalmente e antes era por intuição. Então toda a letra tá mais trabalhada, a canção como um todo.

Qual é a mensagem que você quer transmitir com ele? Vi que muitas músicas são sobre liberdade feminina. Essa é uma delas?

Liberdade com certeza é o que eu mais quero passar, e perseverança da caminhada. Queria que as pessoas entendessem as letras e como elas podem fazer o que elas têm vontade e respeitar as pessoas, o desejo delas de fazer o que elas estão sentindo.

#ESCUTA, em todas as plataformas de música e de vídeo // MEIA-NOITE 🧡

Posted by Malía on Wednesday, April 17, 2019

O álbum todo pesca de diferentes estilos como raggae, batidas de funk, muito pop. Quais foram suas referências musicais para ele?

Muitos artistas: Djavan, Emicida, Travis Scott, Lauryn Hil e Elis Regina são alguns.

E qual é seu gênero favorito?

Não sei dizer. São moods, eu acordo e quero cantar isso. Eu gosto muito de raggae e R&B, acho que você consegue expressar mais suas emoções.

omo rolou a parceria com o Jao e o Rodriguinho? Você foi atrás deles?

Então, eu conheço o Jão da gravadora, de um vídeo que fizeram para divulgar ele como um artista novo e eu gosto muito do jeito de ele misturar estilos. E desde o primeiro momento a gente deixou claro que queríamos fazer parcerias. E Rodriguinho é uma relação muito forte, eu ouvia desde pequena em casa, na Cidade de Deus.

Qual é sua música favorita de cada um?

Do Jão é Dança Pra Mim e do Rodriguinho é Fatalmente.

Além disso uma das músicas vai estar na trilha sonora de Malhação. Você assistia a malhação? Se sim, o que significa isso e qual foi sua malhação favorita até agora?

Não era muito bem da minha época, eu não assistia muito mas eu gostei da temporada da Fatinha, interpretada pela Juliana Paiva (Malhação: Intensa Como a Vida). Eu assistia muito, adorava.

Você vai estar no Rock In Rio esse ano. Que show você quer mais ver do Espaço Favela e do festival como um todo?

Nossa, eu tenho muitos amigos no Rock In Rio, quero ver tudo: BK, Gabz. Eu tô muito ansiosa para ver a reação da galera assistindo à uma artista nova. Eu tô nesse começo de me conectar com as pessoas que não me conhecem e tô ansiosa para levar minha música e minha mensagem.

E quais são os seus top três álbuns favoritos?

Milagreiro (Djavan), O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui (Emicida) e Velô (Caetano Veloso).

Algo mais?

Eu acho importante falar para as pessoas que forem ler isso que elas devem continuar focando no que acreditam. Isso é super importante e é o que eu quero levar para frente como artista.

Escuta já está disponível nas plataformas de streaming, como Spotify, Deezer e Tidal.

Publicado por

Jornalista e etc



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