6 de novembro de 2020
Clipe
ENTREVISTA| Junin fala sobre explorar novos talentos, processo de composição, Harry Styles e momentos marcantes da carreira

Junin era apenas uma criança quando começou a tocar instrumentos e levar a música como hobbie em sua vida. O baterista da banda Lupa acaba de chegar em uma nova etapa de sua vida, lançando seu primeiro EP inédito ”Músicas para janela”. Multi-instrumentista, Junin é mais conhecido por dar som as baterias da banda Lupin. O recente cantor já chegou a se apresentar no palco do maior festival do país, o Rock in Rio.

Aos oito anos de idade Junin já amava música e se mostrava dedicado a bateria. Atualmente, ele se arrisca em outros intrumentos e até no vocal. Apaixonado por moda e balé classico, o cantor tem como referência grandes nomes do MPB e até Harry Styles. Ficou curioso? Confira o clipe da faixa ‘guarda pra mim’ do cantor.

Em uma conversa descontraída com o Conexão POP, Junin esbanjou simpatia e carinho ao falar de seus sonhos, processo de produção, planos de carreira e muito mais.

Junin

CP: Queria te parabenizar pelo primeiro EP, muita novidade vindo! Como você está se sentindo nesse momento?

Junin: Primeiramente queria agradecer pelo espaço, pela conversa, por tudo isso que nós vamos estar fazendo agora. É um prazer absurdo para mim, estar aqui contigo. E cara sobre o EP eu estou muito, muito, muito feliz com os últimos dias! Eles tem sido um dos dias mais felizes assim, uma realização com certeza de toda minha carreira. Uma carreira que assim… Tem um mês (risos), mas de tudo que eu sonho com a música, eu estou tão feliz que me faltam palavras para ser sincero,  então coração está a mil. Tem muita coisa para fazer e eu estou endoidando também de tanta coisa, mas tá bom demais. Estou muito feliz com tudo isso, está sendo realmente incrível e eu estou muito ansioso pra lançar para todos.

CP:Este é o primeiro trabalho que você fez a parte da banda, queria entender de onde veio a ideia para fazer esse projeto, já que você não vai sair da banda.

Junin: A Lupa é minha paixão, foi onde eu fui criado, onde eu sonhei tudo isso. Então não tem como eu me separar. É muito engraçado porque minha vida inteira, tem muitos anos que a gente já estava com a Lupa, que a gente sonha com tudo isso, e além da Lupa eu já estive com outras bandas e eu sempre estive ali, na posição com baterista, ali no banquinho da bateria super confortável onde eu até brinco que é o melhor lugar do palco, porque eu vejo tudo! Então realmente estar indo parar ali pra frente, estar indo cantar é algo muito diferente… Está sendo um aprendizado muito grande para mim, está sendo muito louco. E justamente isso veio desse momento que nós estamos passando, nesse momento de quarentena, nesse momento que você tem um turbilhão de sentimentos dentro e acabou que quando nós demos essa pausa, demos essa parada toda da vida corrida, eu tive a sorte do estúdio da Lupa ser aqui em casa, então eu passei muito tempo dentro do estúdio, muito tempo tocando. Não só a bateria, mas tocando, violão, piano, eu nunca tinha feito uma música até quatro meses atrás e me vi com necessidade de escrever sobre tudo que estava sentindo, tudo que eu estava passando. Eu não estava no momento bom da minha vida, acho que todo mundo estava no momento difícil e terminou que veio como uma forma de cura para mim, para me ajudar em tudo e foi e foi assim que saiu a primeira música, foi nessa loucura. Quando saiu eu pensei assim, “cara o que eu faço com isso? Acho que vou lançar um projeto solo! Um pedacinho a mais de mim no mundo, na verdade um pedacinho mais verdadeiro meu, né?”. Agora é uma verdade 100% minha é o que eu acredito, são as minhas verdades estampadas na minha cara, então foi a partir daí que eu tive essa necessidade de lançar o projeto em solo.

CP: Para você, qual foi a etapa mais dificil e a mais legal de fazer o EP?

Junin: Para mim, eu poderia dizer que o mais difícil foi eu me entender como vocalista. Na minha vida inteira nunca cogitei ser vocalista, não sabia nem como que era cantar, e aí quando eu comecei a escrever as músicas eu pensei: “cara, o que eu vou fazer com isso?”, então eu acredito que o processo mais difícil foi entender como eu seria como cantor, entender para onde a minha voz iria vencer todas as inseguranças que eu tinha, a gente escuta o áudio da nossa voz e já fica achando horrível.  Com certeza o que eu achei mais fácil para eu passar, mesmo vindo de uma vida inteira com banda, foram os processos. Eles são diferentes agora, normalmente são cinco pessoas ali trabalhando os processos se tornam, querendo ou não, algo muito maior. Então, uma das maiores facilidades que estou sentindo é o fato de eu poder fazer exatamente que eu acredito, o que eu gosto, eu concordo, esse é um dos pontos que eu estou mais gostando.

CP: Você disse que há quatro meses você nunca tinha composto uma música na vida. Como foi o inicio desse processo para você?

Junin: Pra mim foi 8/80 nessa quarentena. A gente vem de uma vida muito ocupada, de ter muitos compromissos, de estar sempre gostando de ter uma loucura, de ter uma vida ocupada com todo mundo quer ter, né? Eu ja vim ali de anos de correria e nunca tinha parado para pensar que se tirassem isso de mim, o que restaria? E foi justamente isso que aconteceu no começo da quarentena, tiraram tudo de todos nós. A questão da Lupa e tudo isso aí. Eu fiquei sem chão, fiquei tipo: “Cara o que está acontecendo com a minha vida? O que eu faço?” foi um baque muito grande, fiquei bastante triste, bastante depressivo com isso. Nisso vem a necessidade por uma cura, para mim, o processo de escrever sobre isso me fez ficar bem hoje, olhar para algo de bom nisso tudo foi que me deixou mais sentimental. Me despertou para encontrar uma cura dentro de mim mesmo, o processo total auto conhecimento.

CP: E quais são suas expectativas para este primeiro trabalho?

Junin: Esse projeto veio para me desafogar de tudo que a gente estava passando, até com a Lupa em questão de mercado, de música, de cobrança, de tudo isso. Então eu tive esse projeto como uma conexão com a música. Minha expectativa nesse projeto vai ser sempre algo que eu vou ter como meu espaço, que eu vou poder colocar minhas verdades, que vai me ajudar, me fazer evoluir. E que elas possam ajudar muitas pessoas. Que minhas músicas possam ser cura para outras pessoas. A música nasceu para ser algo, mas o que ela traz que as pessoas realmente que, ou interpreta. Estou super empolgado, animado, estou fazendo tudo com muito amor e carinho para vocês.

Junin divulga belo e cinzento clipe para a nova "tá tudo bem"; assista

CP: Queria saber um pouco sobre o processo de produção desse EP. Você produziu tudo na quarentena, como foi?

Junin: Nesse momento não tem como trabalhar com aquele tanto de gente,  eu já estava acostumado a trabalhar com tanta gente, mas isso, pra mim, foi perfeito agora porque como eu nunca tinha entrado em estúdio como cantor/compositor para fazer algo meu, sempre entrei como baterista, eu não sabia como seria isso. Não consegui imaginar como seria minha situação. Acho que  fazer um processo de uma maneira muito mais simplificada, muito mais crua, direta, que foi como nós produzimos, quem produziu esse EP inteiro comigo foi o Fernando Vaz, que é meu professor de canto. Ele foi uma das primeiras pessoas que escutou todas as músicas. Eu virei para ele e falei “Cara, eu quero que você produza mesmo. Quero produzir aqui contigo, na tua casa e de maneira mais descontraída possível”. Lógico que é um processo de produção de banda é  mais completo, é diferente, mas nesse caso, pra mim, acho que o processo mais simples possível iria trazer as músicas de uma forma mais verdadeira. Fomos só nos dois na casa dele, me deixou super confortável, foi um processo muito legal.

CP: Qual a mensagem que você gostaria de passar através do seu EP?

Junin: Tem. Esse primeiro EP eu escolhi através de algumas músicas que eu já havia escrito, essas músicas para mim foram como um abraço, algo mais próximo, que consola. Elas são músicas que falam de relacionamentos, não só amorosos, de familia, amizade, e tudo isso.  Se você pegar sobre a ordem do EP, a primeiro fala sobre um termino que eu tive, enquanto a ultima fala sobre um possivel amor que eu possa ter no futuro. São musicas mais terapia para mim nesse momento.

CP: Como foi sua preparação vocal para este projeto?

Junin: Quando eu escrevi as músicas eu pensei que queria cantar elas, então fui atrás do Vaz e pedi para ele me ensinar a cantar. Nós tivemos um período curto de uns 3 meses para entender meu vocal, para onde meu vocal ia. Antes das gravações eu treinava horas e horas, todos os dias, exercícios, interpretando tudo isso, foi um processo até que rápido, mas não me trouxe insegurança porque o que vale para mim é a verdade que eu quero passar. mesmo não agradando muita gente, depois que saiu o primeiro single e eu vi a repercussão fiquei muito feliz com a repercussão.

CP: Qual foram suas principais influências para esse projeto?

Junin: Eu sempre gosto de falar que o primeiro artista que me fez ter vontade de ter algo meu, de ser vocalista foi o Agepe, ele é um sambista que tem músicas que me passam uma sensa~ção tao boa, ele me passa tanta verdade e foi o primeiro que me fez ter vontade de escrever algo. Alem dele, eu tabmém estive escutando outros artistas durante essa quarentena, tenho ouvido muito MPB como Caetano, Tom Jobim e do novo MPB também, tem o Silva, uma galera que eu sou apaixonado, são fontes que a gente vai bebendo a vida inteira e criaram esse novo Junin, dentro disso tudo.

CP: Além da bateria você explorou coisas novas na gravação desse EP, e se aproximou de novos instrumentos, né?

Junin: Com certeza, eu jpa tocava violao, mas só em brincadeira, cover, o processo de composicao é diferente, eu to tentando aprender a tocar piano também, mas é muito diferente, não é só tocar, é criar algo, me sinto muito mais intimo do piano e do violão e da parte de produção também, estou enxergando de uma maneira diferente, Esse projeto veio para me conectar com a música de um jeito muito diferente.

CP: É muito interessante a gente pensar em toda a sua trajetória musical, porque você já tocou em grandes palcos né? A gente ta falando de Rock in Rio, coisas grandes mesmo. Nesse momento que você está agora da sua carreira com tudo que aconteceu nesse ano, é muito difícil o ponto alto, mas tem algum momento que você considera um dos mais marcantes da sua vida na sua carreira como um todo.

Junin: Cara como um todo, é difícil escolher um momento marcante, porque eu tenho vários momentos que marcam a minha vida, a minha carreira e que eu olho e falo tipo, cara “são momentos de muito orgulho pra mim”, com certeza o Rock in Rio é um deles, eu lembro quando eu criei “A Lupa”, a gente falou tipo “Cara, qual é um dos maiores sonhos de cada um aqui dentro da Lupa?” Ai eu falei, justamente que meu maior sonho da Lupa, ia ser o dia que a gente cantasse no Rock in Rio e meu pai poder estar lá me vendo. E isso aconteceu, então com certeza, isso foi um dos ápices da minha carreira. E eu acho que o momento de lançamento do nosso primeiro álbum, quando eu peguei ele na mão e pensei tipo “Caraca, agora eu tenho um álbum meu pra mostrar pros meus filhos, meus netos…” e esse foi outro momento incrível. Eu lembro de um dos nossos últimos show no Rio, que foi no Festival Ocupa, que foi um festival que eu criei com o André, é um festival nosso, e esse foi um dos momentos de hiper mega felicidade, e por ai vai… São tantos momentos, tantas pessoas que a gente conhece, e que marca a gente de um jeito completamente diferente, são momentos que eu não sei nem dizer, e eu fico tão feliz de ver eles, sabe? De ter a sorte de viver, presenciar tudo isso… E isso me faz cada vez mais querer momentos desses, e com certeza na minha carreira solo, o dia que eu lancei minha primeira música foi um dos dias mais marcantes da minha vida inteira, eu ver que tinha um novo projeto que era 100% meu, então isso também fez ser um dos momentos auges da minha carreira, sem a menor dúvida. E por ai vai, a gente vai sonhando e planejando momentos.

CP: Deve passar um filme né? Pensar em tudo que você já viveu.

Junin: Nossa sim! Desde os 8 anos de idade, passa assim, as bandas de nomes ruins que a gente tinha (risos), os shows na escola, as primeiras turnês, os primeiros fãs, nossa tanta coisa que vem na minha cabeça que é até difícil falar.

CP: E deixa eu te perguntar, você gravou videoclipes pra esse projeto, como surgiu essa ideia de gravar, quais foram suas inspirações?

Junin: Então, eu sou apaixonado por clipe né? Tanto que eu tenho uma produtora audiovisual, que a gente que produz e faz todos os clipes… A gente que fez os últimos clipes da Lupa, que a gente lançou todos no ano passado, e quem produziu foi eu, meu sócio Tobias –que é o diretor de todos os meus clipes–, de todos os clipes da Lupa, e mais uma galera incrível, todo mundo que está ali com a gente. E cara, o processo de clipe pra mim, eu sempre penso numa ideia que eu fique “Cara, a gente não precisa de muito dinheiro, de coisas extraordinárias pra fazer um clipe bom”, um clipe bom vem a partir de uma ideia, de algo simples, de um conceito. Então tudo que eu penso nos meus clipes é justamente isso! Eu quero passar um conceito nos meus clipes que envolva a música além de incluir tudo que eu considero arte, então eu coloco muita moda nos clipes. Principalmente na minha carreira solo, eu quero estar sempre envolvido com moda, que é uma arte que eu sou apaixonado também, é algo que eu amo. Então eu sempre quero trazer isso com ideias fáceis, difíceis, tudo isso, e eu por ser um viciado em clipe, to ai produzindo 4 clipes em um mês, mas é tudo um processo incrível com pessoas maravilhosas, e energias maravilhosas que estão sempre a minha volta, e tá sendo esse o processo.

ENTREVISTA: Junin fala sobre a faixa "Tá Tudo Bem" – POP CYBER

CP: Você gravou 4 clipes, então a gente pode dizer que esse EP, é algo totalmente audiovisual né? Porque unindo todos dá até pra formar um filme né?

Junin: Exatamente! É igual eu te falei, isso é exatamente a minha ideia, em todos os clipes eu não quero trazer apenas a musica, eu quero contar uma história. Eu não quero que o JUNIN seja exclusivamente da música, mais que seja todo um conceito, de música, de vídeo, de roupa, de tudo! Em um dos clipes que a gente vai lançar agora, a gente traz a arte, a dança né –ballet–, que é algo que eu sou apaixonado… Desde pequenininho, minha mãe eminha mãe são bailarinas, e desde pequenininho eu sou apaixonado, ai eu consegui colocar o ballet classifico no clipe. Então eu acho que isso, uma junção de todas as artes, de tudo que eu amo e tudo que eu acho incrível.

CP:Se você pudesse escolher um artista para gravar uma parceria, quem seria?

Junin: Internacional, acho que um dos artistas que eu mais admiro, que eu mais amo é o Harry Styles, eu sou apaixonado, então com certeza eu escolheria ele, seria o maior sonho da minha vida! E nacional, acho que um dos reizinhos desse país, que eu amo e tenho o maior respeito é Caetano Veloso, então se algum dia eu tiver a oportunidade de gravar um trabalho com ele, seria a realização de um dos maiores sonhos da minha vida, eu ia ficar tipo “Beijo mundo! Eu não preciso de mais nada” (risos), então são esses artistas, completamente diferentes? Sim!

Junin lança projeto solo e autoral, fruto de experimentos da quarentena - Soda Pop

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