11 de Maio de 2020
Entrevista
ENTREVISTA: Família Lima conta detalhes da produção do novo EP, gravação do clipe e muito mais

Lucas, Amon, Moisés e Allen formam o grupo Família Lima. Os irmãos lançaram na última sexta-feira (12), o segundo volume do EP “Música de Domingo”, que conta com quatro covers, sendo um deles, a faixa “Só os Loucos Sabem”, do Charlie Brown Jr. A regravação conta com a participação de Agnes Moraes e até ganhou um clipe gravado na casa de cada um dos integrantes.

O projeto “Música de Domingo” é formada por faixas apresentada no programa “Tamanho Família”, que vai ao ar na Rede Globo. A nova temporada do programa foi adiada, assim como toda a programação do canal.

Batemos um papo com Amon, que contou sobre o processo de criação do trabalho também ocorreu durante a pandemia, a escolha de repertório e a gravação do videoclipe, confira.

Como estão as coisas em meio a quarentena? Todo mundo com saúde por ai?
Aqui tá todo mundo bem, a família tá bem. A gente tá separado. Eu tô aqui no Sul. Eu já estava aqui uns 10 dias antes de começar todo o isolamento no Brasil. E como eu já estava aqui, aqui eu já fiquei. Eu ia ter um show e nem fui, porque foi cancelado. Então eu já não saio mais daqui.

Bom, vamos falar um pouco do novo projeto?
Claro!

Como foi gravar em meio a pandemia?
Foi uma gravação a distância, né? Não é uma coisa incomum gravar a distância. Às vezes tem alguma coisa que precisa fazer rápido. Então, normalmente as coisas são gravadas separadamente. Às vezes no mesmo estúdio, só que separado. Mas, nesse caso, foi um EP inteiro praticamente feito a distância. E isso é a primeira vez que a gente faz. Mas funcionou bem. Por sorte, eu tinha trazido meu equipamento pra cá… Porque, como eu falei, eu vim pra cá de férias. Eram 10 dias que eu tinha pra descansar e eu já emendei, já não saí mais daqui. Mas por sorte eu tinha trazido meu equipamento de gravação, e eu sempre levo meu violino comigo, pra estudar, então não vou ficar desfalcado. E aí a gente decidiu seguir com o projeto de gravar o EP.

Estava no nosso cronograma e decidimos gravar dessa forma. Moisés gravou na casa dele, o Allen tem um estúdio lá também, em Vinhedo, né?! Eu moro junto com o Allen, mas eu não tava lá. Então, gravei minha parte daqui e o Lucas fez toda produção lá no estúdio dele, na casa dele e finalizou. Juntou tudo que gravamos, finalizou e agora estamos lançando. Foi legal fazer a distância, deu certo. A gente conseguiu achar uma maneira de fazer.

E como vocês escolheram o repertório?
Algumas coisas já estavam decididas, né?! Esse projeto, o Músicas de Domingo, é o volume 2 que estamos lançando. O primeiro foi feito ano passado e o segundo já estava nos planos. Porém, mudamos um pouco as coisas. Tem até algumas coisas gravadas que não vão sair agora, porque a gente achou que esse repertório tinha um pouco mais a ver com a situação toda. Não são, necessariamente, músicas tristes ou lentas, mas acho que tinham um pouco mais a ver com a situação. Então, foi escolhido dessa forma. Essa música que nós lançamos, que é a primeira música que vamos trabalhar (Só Os Loucos Sabem), com participação da Agnes, participação especialíssima dela… Essa música entrou por uma decisão que tomamos. Foi uma música que o Lucas produziu ano passado e a gente só deu um pouco mais de corpo. O arranjo estava montado desde o ano passado. E essa música entrou por ser uma música tão bonita… Parecia que ela cabia tanto nesse momento… Parecia que tinha a ver com a mensagem que a gente queria passar. Então, batalhamos pra que ela entrasse no EP. E entrou! E amanhã a gente lança a música com vídeo também. Vídeo que a gente gravou a distância, inclusive. Cada um com o seu celular e, graças ao trabalho do nosso editor, o Will, ficou tão bonito, com uma cara tão profissional. Nem parece que foi feito com imagens de celular e a distância.

Falando da música, como surgiu a parceria com a Agnes?
Essa parceria começou ano passado. O Lucas fez um arranjo pra essa música, porque ele estava fazendo a direção musical e toda produção das músicas da trilha sonora do eSports, a premiação de videogame que é feita todo ano no SporTV. O Lucas assina há vários anos a direção musical desse evento e houve um momento em que a Agnes cantava essa música do Charlie Brown. E o arranjo ficou muito bonito, o Lucas gostou bastante… O arranjo agora ta diferente, a gente mudou um pouco, mas foi uma base que já tinha sido feita. Então, o contato já surgiu nessa época. Quando a gente tava conversando sobre esse lançamento foi que a coisa evoluiu e a gente decidiu lançar essa música. Aí o Lucas colocou a voz dele também, que antes não fazia parte do arranjo original, junto com cordas e piano e tudo mais da Família Lima.

Falando sobre o programa, o que dá mais frio na barriga: se apresentar em programa de TV ou para um grande público?
Cara, eu falo isso por mim e por todos. A gente não tem muito o frio na barriga porque começamos muito cedo a ir pro palco (muito cedo mesmo, crianças, com 3 ou 4 anos). É a maneira como fomos educados musicalmente.

Vocês cresceram assim, né?
O método Suzuki tem isso, o método que a gente aprendeu música… Faz parte da maneira como ele é ensinado que a criança aprenda uma coisa é já vá pro palco tocar pra uma plateia, com pais, amigos…Então, isso acostuma MUITO. E é por isso nos sentimos bem confortáveis. O que dá frio na barriga são situações inusitadas. Quando a gente começou o Tamanho Família foi uma época de bastante frio na barriga, porque era muito diferente trabalhar como uma banda de programa de TV. E a gente queria entregar nosso melhor, então acho que essas coisas diferentes, com algum repertório muito novo no qual tivemos pouco tempo pra ensaiar, dá um friozinho na barriga. Mas a gente se sente bem confortável.

Acho que o dá mais frio na barriga mesmo é aeroporto, quando o voo atrasa e você começa a ficar preocupado sem saber se vai chegar na cidade a tempo. Isso dá mais frio na barriga que o próprio show em si. Ou sei lá, se apresentar pro público em lugar aberto, o tempo fechar e não saber se vai chover… Essas coisas dão muito frio na barriga mesmo. Mas depois que sobe no palco é só alegria. A gente se sente como em casa. Falo isso por mim e por todos. É todo mundo assim

Você disse que começaram desde crianças. Com 21 anos de carreira, qual o maior desafio que vocês enfrentam em relação às mudanças que acontecem dentro da indústria musical? Porque a indústria está sempre mudando. Num dia as pessoas ouvem uma música, e tem lançamento toda semana… E as coisas vão ficando meio ‘ultrapassadas”… É tanta música que a gente não consegue consumir como antes, né?! Então qual o maior desafio pra vocês nessa mudança?
A gente, na verdade, tá na indústria mas… ao mesmo tempo vamos de uma forma meio diferente, né? Misturamos muito o repertório, não temos uma linha que seguimos. O desafio maior foi conquistar esse privilégio de poder tocar tantos estilos. Fomos educados de uma forma musical sem preconceitos, apesar de tocarmos instrumento antigos, como violino, violoncelo… A gente toca de tudo, e tentamos tocar tudo o que gostamos. Então, o desafio é, às vezes, fazer isso de uma forma que fique coerente, pra que não fique uma coisa tão sem foco. E conseguimos manter isso. Tanto que fazemos nossos shows.

Quando você explica o show pra alguém que nunca ouvi falar, a pessoa acha que não vai dar certo. Mas depois ela assiste e vê que ele caminha de uma forma homogênea, natural. O desafio ta sendo levar isso pros discos, já que estamos mudando mais os repertórios. Desde que começamos a trabalhar no Tamanho Família, tivemos contato com repertórios que nunca imaginamos ir atrás, mas tivemos que levar ao programa por solicitações da produção. Então, o desafio é transmitir isso pro disco e estamos gostando demais de fazer isso. É um desafio bom. O maior desafio é conseguir fazer isso de uma maneira coesa.

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Nascido em 1999, estudante de publicidade e propaganda. Provavelmente, eu escrevi essa matéria ouvindo algum álbum da Taylor Swift.



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