9 de outubro de 2020
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ENTREVISTA | Giulia Be fala sobre realizações profissionais e processo de composição de “inesquecível” e “inolvidable”

Giulia Be era apenas uma menina de oito anos quando começou a compor suas primeiras canções. Multi-instrumentista, aprendeu a tocar piano aos seis e arriscou-se mais tarde nos acordes do violão. Hoje, aos 21 anos, dona de uma voz única que muita gente já conhece, a carioca tem estado cada vez mais presente entre os grandes nomes da música brasileira.

Leonina com Lua em Virgem, Giulia não esconde seu perfeccionismo quando assunto é trabalho. E o resultado fica claro em números e conquistas que não param de aumentar. Este ano, sua carreira mudou completamente! Depois do sucesso de “menina solta”, que chegou a figurar em 10º lugar entre as faixas mais tocadas no Spotify e já ultrapassou a marca de 257 milhões de streams, a jovem recebeu certificado de platina dupla no Brasil e tripla em Portugal pelo EP “solta”, emplacou outras canções entre as mais ouvidas, recebeu diversas indicações em premiações pelo país e, claro, conquistou a galera de fora, abraçando os fãs da América Latina e Europa.

Recentemente, a canção “se essa vida fosse um filme” virou trend no TikTok e atingiu a 12ª posição na lista da plataforma. A faixa esteve entre as 26 músicas mais usadas para challenges no aplicativo. E não para por aí! De acordo com dados do Instagram, Giulia é, atualmente, a 8ª cantora mais usada no Reels da plataforma com a música, sendo a única brasileira a estar no Top 10.

Com todo esse sucesso, fica impossível não reconhecer o esforço e o talento de uma menina que um dia estava deitada em sua cama sonhando com tudo que está acontecendo.

Agora, Giulia Be se prepara para dar início a uma nova fase da carreira. Nesta sexta-feira, dia 9, a cantora divulgou seu primeiro single em parceria. E a colaboração é de peso! Ao lado de Luan Santana, a jovem interpreta “inesquecível”. Composta originalmente em espanhol como “inolvidable” (que também acaba de ser lançada), a música foi escrita em questão de minutos, inspirada em uma situação vivida pela própria artista.

Em uma conversa descontraída por telefone com o Conexão POP no começo da semana, Giulia esbanjou simpatia e contou os detalhes do processo de criação, trabalho com Luan, realizações e muito mais!

CP: Como está a expectativa para “inesquecível”? Coração deve estar a mil, não é?

Giulia: Nossa, eu não sei se tô vivendo ou só esperando esse lançamento. Eu não paro de ir no countdown pra ver quanto tempo resta. Agora (no momento da entrevista) faltam 2 dias, 7 horas e 11 minutos!

CP: Se pra você a ansiedade é grande, pra galera que te acompanha é maior ainda!

Giulia: Pra eles é muito mais! Eu, pelo menos, já pude assistir ao clipe, mas eles ainda não podem ver até ser liberado.

CP: Há também aquela ansiedade de ver a reação das pessoas, não é?

Giulia: Com certeza! Mas eu tô feliz, tô orgulhosa de mim mesma e de todo o trabalho que a equipe – tanto a minha quanto a do Luan – fez. É tanta gente envolvida por trás de uma música…

CP: É um processo que, pra gente, que vê a situação de fora, o single pronto, não imagina a correria que acontece. É algo que parece “simples”, mas que exige bastante de todo mundo.

Giulia: Eu sempre quero que tudo saia perfeito, sou bem perfeccionista, e pra isso acontecer é muito trabalho, muito detalhe e muita cabeça! Mas o projeto tá lindo, pronto e a galera já pode conferir. Tô mega ansiosa e vai ser MUITO inesquecível.

CP: E parece que você decidiu matar o pessoal aos pouquinhos! Primeiro pegou todos de surpresa com a prévia na live Clássicos e depois com a capa do single.

Giulia: Você gostou?

CP: Gostei! E estamos bem ansiosos pra ouvir a versão em espanhol.

Giulia: A versão, na verdade, é em português. Primeiro nasceu “inolvidable” e, depois, “inesquecível” virou uma versão em português.

Inclusive, “inolvidable” tem outro clipe e outra letra. Por mais que seja o mesmo universo, é diferente. Então, espero que você assista aos dois clipes (risos)!

CP: Pode deixar! Então quer dizer que teremos duas coisas distintas de cada lado?

Giulia: Exatamente! Eu já tinha a melodia na minha cabeça para a história de “inolvidable” – e “inolvidable” é uma palavra que tem uma bagagem emocional, que instiga perguntas. Talvez o caminho mais óbvio seria seguir em uma vibe romântica, sobre ter vivido algo inesquecível com alguém, mas não foi assim. A sacada da música é justamente você falar: “Ah, beleza! A gente fez várias coisas legais nesse encontro da vida, foi incrível, mas eu sou inesquecível. E é por isso que você não me esqueceu até hoje!”, sabe?

Enfim, eu queria trazer algo disso. A música é emocionante, dá um geladinho no coração, mas, ao mesmo tempo, também é uma canção que tem atitude, é debochada, é poderosa. Acho que o pessoal vai se divertir bastante com tudo – o que é o mais importante. Quero muito ver o que vão achar disso!

CP: Das duas versões, você consegue escolher uma preferida?

Giulia: Cara, é tipo filho! É muito difícil de escolher (risos). Eu acho que cada uma tem seus méritos e suas qualidades.

Claro que estou bem animada para “inesquecível” por ser minha primeira parceria. Eu tô muito feliz com a reação das luantes, que estão me abraçando. Só que “inolvidable” também traz muita novidade. A canção tem um swing diferente da versão em português, foi a original e é meu lançamento em espanhol depois de “chiquita suelta”, que eu lancei no começo do ano. Então, foi um espaço grande pro público latino que eu fui ganhando e foi me conhecendo. Tô empolgada pra que eles tenham mais conteúdo no idioma.

CP: E a composição da música foi feita por você mesma?

Giulia: Foi feita por mim e pela Cris “Chill”, que me ajudou no espanhol. Por mais que eu soubesse a história que queria contar, há coisas no idioma que só sendo local pra conseguir falar de uma maneira legal. Com o espanhol que tive na escola não dá pra fazer uma música assim, já que precisa de expressões que você só vai ter vivendo fora.

Tô aprendendo mais e tô melhorando. Com a ajuda da Cris na tradução do que eu queria passar e do apoio que tive dos meninos, Dav e Johnny Julca (produção), Jean Rodriguez (mixagem) e Josh Gudwin (finalização da mixagem), que produziram e montaram a base do projeto, deu tudo certo!

Mas o enredo em si é verídico, são fatos reais! Foi algo que veio da minha cabeça mesmo, uma história minha!

CP: Há muita diferença entre gravar em português e gravar em espanhol? O processo de composição também muda?

Giulia: É diferente! Muito por conta disso que a gente conversou, de não falar de forma nativa (ainda, porque eu vou melhorar no espanhol e falar fluente).

Mas acho que a maior diferença é que no português eu escrevo muito sozinha, afinal, cresci sabendo. Em inglês também funciona assim comigo. Já no espanhol, como é a língua que eu tenho menos segurança, ainda tenho esse trabalho de estar sempre com alguém que fale fluentemente pra me ajudar a encaixar as coisas. A conjugação dos verbos é bem distinta nas duas línguas e, às vezes, eu rimo uma coisa que não faz sentido ou soa bem pra quem fala. Acredito que essa seja a maior diferença. Inclusive, pretendo escrever com outros compositores, mas tive poucas oportunidades até o momento.

Voltando ao espanhol, é meio que aquela coisa de eu ter uma ideia e de saber como quero que a música fique. Eu também tenho muita noção das melodias, de buscar fazer uma releitura do universo latino sem trazer um reggaeton, porque não tem muito a ver comigo. É tentar me traduzir nessas músicas, sabe?! Então, na maioria das vezes, eu escrevo em espanhol e passo a letra com alguém que realmente entende.

Já a voz, a gravação, ela é diferente no inglês, no português e no espanhol. É a mesma voz, mas algumas línguas permitem fazer coisas que outras não. Em inglês, se eu cantar sem dicção alguma vão achar que é conceitual. Já se eu fizer isso em português vão me chamar de bêbada (risos).

CP: A primeira música sua que ouvi foi “Too Bad” e fiquei impressionada com a pronúncia e a voz. Você está fazendo um bom trabalho, acredite!

Giulia: Muito obrigada, fico muito feliz em ouvir isso. Ainda vai ter muita coisa pela frente em outras línguas, eu espero. Já tô até querendo fazer um K-Pop também…

CP: É um desafio, hein! A galera do K-Pop é superforte

Giulia: Já pensou? Giulia Black Pink… Giu Pink (risos).

CP: É um bom nome! Já deixa guardadinho!

Giulia: Com certeza! Já quero!

CP: Como você já mencionou, “inesquecível” é a sua primeira parceria. E não faltaram elogios seus pro Luan Santana (e vice-versa, claro). A gente sabe que ele é um grande artista, assim como você, e que não vão faltar perguntas sobre como foi essa experiência com a canção. Mas, além disso, queria saber se você pode nos contar algo sobre trabalhar com ele que ninguém imagina.

Giulia: Cara, o Luan é uma pessoa… Eu já o admirava muito como artista, mas agora admiro também como ser humano. Ele é um cara muito humilde e generoso, recebeu a minha família na casa dele. Talvez algumas pessoas possam achar que somos diferentes – são estilos e vozes que mudam – e realmente somos se você analisar de longe. Mas eu acho que já deu pra ver um pouco na live (Clássicos) o quanto somos parecidos, o quanto temos os mesmos valores e o quanto a gente ama a música e o que a gente faz.

Ele é pisciano, meu Ascendente é Peixes, a gente tem o mesmo número da sorte (13), então há várias semelhanças que fomos encontrando, coisas que não esperávamos. A gente realmente virou amigo pra vida toda. Eu tenho um grande carinho por ele!

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#liveclassicos @luansantana

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CP: E a gente espera que venham mais parcerias com o Luan e com outros artistas por aí.

Giulia: Eu espero muito! A gente até tem algumas ideias, mas (suspense) vamos focar nesse lançamento por enquanto.

CP: Pra finalizar, já que estamos falando de “inesquecível”, qual foi o momento mais inesquecível da sua carreira até agora?

Giulia: Sempre que me perguntam isso eu falo algo diferente, mas é porque há vários momentos que foram inesquecíveis pra mim. A imagem que eu tenho na minha cabeça, que com certeza eu vou contar para os meus netos, foi a minha participação no Rock In Rio, ano passado, com o Projota.

Mas em um dos ensaios pra live que rolou, eu falei pro Luan e pra Luiza (Sonza)… Não sei se foi o momento mais inesquecível de realização pessoal, mas foi um momento em que eu parei e pensei: “Caraca!”.

Eu olhei em volta e vi a equipe trabalhando e os dois conversando sobre arranjos (que são mais conhecidos e estão na vida pública há mais tempo que eu). Foi quando comecei a lembrar de quando era uma menina (ainda sou, né?!) compondo no quarto e pensando que era aquilo que eu queria pra minha vida. E hoje, estar sentada ali, falando sobre música e trocando ideia com grandes artistas foi um momento marcante. É bem provável que agora mesmo tenha uma menina escrevendo em casa sem imaginar que daqui algum tempo ela pode estar aqui com a gente! É muito louco, é muito verdadeiro!

As pessoas podem até falar que é clichê – essa coisa de sonhos se realizaram – mas o que eu posso fazer? É real (risos). Se é clichê é porque é verdade. Aquele foi um momento especial no qual meu coração falou: “Giulia, agradece! Olha tudo que você já fez e olha onde você tá!”.

Gostou? Não deixe de conferir “inesquecível” e “inolvidable” em todas as plataformas digitais!

Publicado por

Jornalista recém-formada apaixonada por música, cinema, viagens e esportes.



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