9 de julho de 2020
Conecte-se
Conecte-se: Conheça Luiza Casé

Luiza Casé é cantora e compositora e já fez de tudo na carreira. Muito versátil ela acaba de lançar seu mais novo single ‘Coração na mão‘. A sobrinha de Regina Casé canta sobre sentimentos cotidianos e reflete sobre a realidade e a dualidade do povo brasileiro: vontade e conformismo, medo e coragem.  

carioca está prestes a lançar seu segundo EP, com previsão para setembro e um novo single chamado ‘Purpurina‘. O Conexão POP bateu um papo com a cantora que abriu o coração e falou sobre suas influências, amizades e o novo projeto.  

 

CP:  Em ‘Coração na mão’, você canta uma música sobre se sentir ansioso e angustiado com algo, de onde veio a ideia de compor sobre essa dualidade?  Como foi o processo de composição da música?  

Luiza Casé: A inspiração foi a partir deste nome, que é um projeto que eu tenho com a minha mãe, que é coreografa de dança contemporânea, Andréa Maciel. A gente tem um projeto em desenvolvimento, é um projeto dela, mas que acabou me incluindo porque ela escutou a música “mergulho”, que é uma música do meu último álbum e achou que tinha tudo a ver e agora eu sou uma performance do projeto. O projeto fala sobre essas impressões sobre a própria vida, e o que é viver no Brasil e estar no mundo também. E eu pensando neste tema e observando também onde a gente vive resolvi falar sobre isso.  

CP: Quais foram as suas principais influências para este novo projeto?  

Luiza Casé: Eu não sei conscientemente quais são as referências dessas músicas. Acho que é tudo que eu já escutei, mas pensando sobre isso eu realmente identifico que no começo, como eu comecei cantando muito rock na escola eu escutava Led Zeppelin. Então eu vejo nessa parte da música, eu vejo muito da força, eu sempre gostei de muita música forte. Acho que de tudo que vamos vivendo vamos recolhendo o que achamos que tem mais a ver com a gente, então, do rock teve esse lugar dessa intensidade que tem muito a ver comigo. 

 CP: O clipe é super colorido e reflete  muito do estilo dançante da música, como veio a ideia de gravar em uma feira, qual foi a parte mais divertida de gravar?  

Luiza Casé: Então, o processo todo foi muito incrível, porque foi a primeira vez que eu fiz um clipe do zero. O Cavi Borges tem uma experiência enorme fazendo cinema, clipe, fazendo de tudo, e ele topou fazer o clipe comigo. Eu perguntei se poderia fazer o roteiro e ele concordou, então, eu chamei meu amigo, um roteirista incrível, Rodrigo de Rodrigues, nós queremos fazer um canal no YouTube juntos. Depois disso, mostrei o meu roteiro para outro roteirista incrível, chamado Gustavo Palmeira e ele deu também as dicas dele e entrou para nossa equipe. Aí depois disso, descobri que poderia escrever um clipe. Converse com o Cavi e acabei fazendo produção também! Chamei um monte de amigos para atuar no clipe. Quando eu vi, eu estava em uma festa na feira, chamei meus amigos fomos para feira. Eu realmente estava na feira e eu realmente fui mergulhar depois, então foi um dia incrível, claro, com muito trabalho, né? Porque é muita informação, você está coordenando mil coisas e até o meu irmão participou comigo, meu irmão tem 12 anos, ele quer ser ator. Até ele estava lá. É muita informação, mas é como um dia de festa de aniversário.   

CP: Como rolou a parceira com Cavi Borges para este clipe?  

Luiza Casé: Eu estava no ‘Roda Festival’, que é um festival de roteiros, e o Cavi participou de uma das rodadas de palestrantes. Aí no final eu fui conversar com ele, nós já nos conhecíamos de antes, então, ele falou que adorava o meu trabalho e perguntou se poderia fazer um clipe meu! Claro que topei, ainda mais sendo uma pessoa como ele, super simpático, do bem e competente com a experiência que ele tem. Foi super legal a gente se deu super bem, fluiu tudo muito bem com essa música, o clipe foi uma diversão só. Lógico que a minha vida tem momentos de dificuldade como a de todo mundo, mas cara, tem momentos que você pode falar que foram perfeitos, e esse foi perfeito eu amei. 

 

CP: Como tem sido para você produzir música em tempos tão atípicos como estes que estamos vivendo?  

Luiza Casé: O ritmo no estúdio ficou mais lento, o estúdio é na casa do Jonas, que é um dos meus produtores, então, o ritmo ficou mais lento. Mas, o processo criativo em si eu não parei, eu já estava com este projeto de lançar essas músicas este ano, e eu já tinha começado a compor em dezembro e janeiro, então foi uma coisas que eu continuei. Tiveram momentos de quarentena também, tipo, momentos em que eu ficava com tédio ou  momentos em que eu só vi uma série o dia inteiro, teve isso, mas o processo criativo em si, foi uma constante porque é uma coisa que eu não posso parar de fazer senão eu fico doida. Isso que dá sentido pra minha vida. Então às vezes mais produtiva as vezes as vezes menos, mas sempre mantendo e desenvolvendo essas músicas que eu vou lançar agora no EP. 

CP: O que este novo single tem de mais diferente do seu último projeto? 

Luiza Casé: Eu sinto que eu estou me descobrindo cada vez mais como compositora, principalmente na parte das letras, para mim, a música sempre veio naturalmente em um dia. E a letra pra mim se apresentou como maior desafio, acho que cada vez mais eu me aproprio dessa ferramenta, então dessa vez eu tentei ousar mais, sobre como vou falar dessa sensação, dessa imagem para que todo mundo possa se relacionar? Eu acho que essas músicas trazem um pouco desse lugar e isso tudo já é diferente. 

CP: Que situações te deixam com o ‘coração na mão’? 

Luiza Casé: Cantando. Para mim, quando estou cantando eu estou realmente aberta, eu não tenho eu sinto que eu amo as pessoas, então eu me sinto com coração na mão quando eu consigo trocar, quando eu sinto que a pessoa é aberta, eu fico tão feliz com isso que me dá vontade estar viva isso me faz ficar com coração na mão você não ter nenhuma barreira entre ninguém. 

CP: Este é o seu primeiro single depois do seu último álbum “Mergulho”, o que podemos esperar do próximo álbum? 

Luiza Casé: Para quem escutou álbum anterior, vai perceber um amadurecimento uma aproximação de algum outro aspecto meu que não tem aparecido nas outras músicas, principalmente com as letras, com algo que eu estou me arriscando mais. A própria voz em si está sempre mudando conforme você vai cantando, você vai explorando outros registros da sua voz. Acho que eu cantei mais no médio no álbum anterior, e nessa eu vou explorar um pouco mais o meu lado agudo. E tem uma pressão maior que não tinha nos outros, acho que isso vai ser surpreendente para algumas pessoas que não conhece todos meus lados. 

CP: Se pudesse escolher algum artista para fazer uma parceira musical, quem escolheria? 

Luiza Casé: Eu penso na Björk, eu gosto porque ela é delicada, é surreal, pela trajetória dela, ela fazia tudo que ninguém estava fazendo, eu imagino que conhecer alguém assim deve acrescentar muito, conhecer uma artista que tem essa visão do mundo. As pessoas que atraem são autênticas, verdadeiras, ousadas e bondosas, e que eu sinto desprendimento em fazer a própria arte sem se preocupar.  

 CP: Você já tinha experiência como atriz antes, como acha que isso influenciou para seu trabalho música atualmente?  

Luiza Casé: Com certeza, uma coisa que eu aprendi desde pequena, eu percebo que existem pessoas que tinham que uma ‘questão com palco’ que eu nunca tive, para mim é um prazer estar dividindo uma coisa com as pessoas, eu não pensava na minha exposição, então, isso já vem de ser atriz. Mas como eu tive uma interrupção na minha ‘atriz’ porque eu fiquei morrendo de medo, e  fui fazer direito na faculdade, no meu retorno ao teatro, também tive um momento que, entre uma apresentação e outra, eu chorava com medo com medo de entrar em cena achando que eu era ruim. Mas eu fui mesmo assim, então isso que me dá força pra ignorar essas ‘vozes’ que me botam pra baixo, e como cantora é a mesma coisa, eu levo essa filosofia de que eu tenho que continuar.  

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